Profissão Regulamentada: uma questão de cidadania

Nêmora Arlindo Rodrigues

Presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia Há poucas profissões regulamentadas no Brasil, não chegando a trinta no total. No entanto, o universo de profissões existentes é imenso. E outras tantas estão sendo criadas, na medida em que as universidades lançam novos cursos, visando adaptar a evolução do conhecimento às necessidades do mercado de trabalho. A reflexão que surge é: se há tantas profissões, por que algumas desfrutam do privilégio de serem reconhecidas por legislação que regulamenta seu exercício? A resposta é simples: porque profissionais preocupados com o exercício pautado na ética e na qualidade dos serviços a serem oferecidos mobilizaram-se para que houvesse a devida regulamentação. Ou seja, os movimentos de classe conquistaram essa situação e muito tem se trabalhado no sentido de manter e aumentar essas conquistas. Quando se assiste melancolicamente o desrespeito à profissão de Jornalista, cuja tentativa de regulamentação foi comparada à tentativa de censura e controle da liberdade de expressão, percebe-se o quanto à sociedade fica desamparada. Quem vai analisar as faltas éticas e de manipulação da informação que seguem sem limites pela imprensa? Quem vai proteger o cidadão? E os erros médicos, sem a atuação do Conselho Regional de Medicina? E as obras de construção civil que colocam em risco a vida de milhares de pessoas, sem a fiscalização do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia? E os maus serviços oferecidos por pessoal leigo em bibliotecas e centros de documentação, sem a atuação do Conselho Regional de Biblioteconomia? Portanto, a regulamentação da profissão perpassa pela questão fundamental que é a de garantir ao cidadão serviços qualificados prestados por profissionais devidamente capacitados e éticos. Uma sociedade justa requer essa condição para
permitir qualidade de vida aos cidadãos. Em última análise, os conselhos de profissões regulamentadas existem para isso. Existem para proteger a sociedade em favor do cidadão. Aos profissionais que detêm o privilégio de pertencer a uma profissão regulamentada, cabe colaborar para o fortalecimento das entidades representativas da classe. As formas de contribuição não devem limitar-se ao pagamento das anuidades, mas devem efetivar-se de forma participativa, quer na denúncia de possíveis irregularidades, quer na construção da valorização da profissão. Convidamos os colegas Bibliotecários a participarem das atividades promovidas pelo Sistema CFB/CRB, visitarem as sedes dos conselhos, conhecerem os conselheiros que prestam serviços de forma voluntária e a engajaremse na nossa missão.

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