- Crítica da Informação: onde está?
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Diz-se que os praticantes da crítica literária são os críticos de literatura; isso é, aqueles que revisam e criticam trabalhos de ficção. Mas onde estão, alguém pode perguntar, os críticos da funcionalidade e legitimidade dos sistemas de organização do conhecimento? Estes são, por exemplo, bibliografias, sistemas de classificação, tesauros, enciclopédias e máquinas de busca – todos os sistemas que de uma maneira ou outra são os mediadores da parte registrada da sociedade e da cultura. Tais sistemas de organização do conhecimento são também as ferramentas profissionais dos bibliotecários. Por essa razão, nós deveríamos imaginar que os bibliotecários possuem muito a dizer sobre o papel e utilidade desses sistemas na mediação da sociedade e cultura, mas é difícil dentro da arena pública encontrar e escutar as vozes críticas de bibliotecários argumentando sobre os sistemas de organização do conhecimento. Nós estamos acostumados a ler e escutar as vozes dos críticos culturais, sociais e literários debatendo assuntos de ordem social e cultural – os tipos de crítica com histórias bem-estabelecidas e aderentes que existem na sociedade. Jürgen Habermas (1996) argumentou, em seu livro sobre a transformação cultural da esfera pública burguesa, que a crítica de arte, crítica social e crítica literária se desenvolveram em espaços públicos como bares, cafés e clubes, e se tornaram escolas do pensamento estabelecidas em gêneros de escrita como jornais e revistas. Elas se tornaram organizadas no senso de que a crítica desenvolveu formas particulares de comunicação para que pudesse falar e escrever sobre assuntos sociais, políticos e culturais da sociedade. Esses modelos de comunicação particulares se mantiveram devido ao seu apelo e crença na discussão racional dentro da esfera pública. As formas de comunicação e a esfera pública eram dialéticas por natureza. A esfera pública constituía o lugar e o espaço para formas particulares de comunicação, enquanto as formas particulares de comunicação contribuíam para materializar e dar forma à esfera pública. A noção de esfera pública burguesa, como argumentou Habermas (1996), recai na suposição de que os cidadãos possuem acesso livre e igualitário à esfera pública.
Os bibliotecários públicos incorporam essa noção de que eles fornecem ao público geral livre acesso à "informação" e conseqüentemente identificam as bibliotecas públicas como parte da esfera pública. Esse é um truísmo amplamente aceito, mas nós raramente ouvimos sobre a participação de bibliotecários na esfera pública através da escrita ou fala sobre assuntos que são relacionados com essa suposta liberdade de acesso à informação.
Considerando que os sistemas de organização do conhecimento exercem um papel na nossa sociedade moderna, nós poderíamos esperar que os críticos que soubessem disso pudessem estar interessados em discutir tais sistemas na esfera pública, revelando suas conseqüências sociais, políticas e culturais. Mas qualquer evidência explícita de tal crítica é, entretanto, invisível, isto é, ainda há de se desenvolver uma maneira de se falar e escrever sobre o papel dos sistemas de organização do conhecimento na sociedade e na cultura. Por falta de um nome mais apropriado, eu devo chamar tal pessoa de crítico da informação (ou “intelectual público”, ver Weisser, 2002) e tal atividade de crítica da informação. Assim, neste artigo eu vou argumentar para uma concepção de bibliotecário como crítico da informação. Começando com uma crítica sobre a falta de crítica da informação, a seguir aponto como deve parecer um crítico da informação, porque ele é necessário e como bibliotecário moderno pode cumprir essa função.