Relato de uma bibliotecária recebido por email.

Relato de uma bibliotecária recebido por email. Os nomes foram omitidos...

"Ao C.R.B. e A.B.C.

Gostaria que fizessem uso do fato que ocorre nesta cidade para que sirva de alerta.
Há 30 anos sou funcionária do estado,com o cargo de assistente de biblioteca,que me levou a fazer o Curso de Biblioteconomia para transformar o cargo,mas infelizmente a educação não foi contemplada por esta lei que existia.
Aos poucos, fui percebendo,que a biblioteca escolar,mudou de nome para sala de leitura e agora multimeios.Notei que havia regente professora e apoio, professora...isto me incomodava,mas dava para continuar,já que estas pessoas faltava, poucos anos para se aposentar.
Agora,nesta gestão,se coloca a sala de mutimeios como um hospital,dentro da escola para professores readaptados ou
aqueles que possuem aversão a sala de aula.Detalhe,a regente de multimeios,não tem função readaptada,é apenas uma professora que ganha uma boa gratificação.
Isto tudo fere a nossa constituição e desfavorece nossa classe.Pergunto,como pode dentro da educação não ter a função de bibliotecário?Qual professor sabe classificar,informar,indexar,catalogar...????Além disso,há ainda o detalhe à questionar; se esse pessoal de multimeios sabe interagir com o aluno e se conhece pelo menos cinco livros de literatura brasileira?
Conheci várias professoras lotadas no multimeios,com objetivos similares:mostrar serviço.Como?Colando livros,passando fita gomada,durex,cola...e ainda tem aquela mais audaciosa,que até tentam classificar pela ficha catalográfica,muitas vezes,como sabemos,estão incorretas.
Mas também ainda esbarrei com uma regente,que retirou minha classificação nas estiquetas e classificou todos os livros de literatura(romances,poesia,crônicas,literatura infanto juvenil),com número 800.
Não entendo,como se pode uma pessoa incompetente se achar com o direito de retirar uma classificação feita por bibliotecário!!!!Isso se chama  exercício ilegal da profissão!
Agora,me encontro ainda numa situação estarrecedora:a escola que trabalho há anos,E.E.F.M. Visconde do Rio Branco,fecha o turno noite.E o que acontece?A SEDUC,diz que é para lotar os professores no Multimeios e que o meu contrato é para trabalhar na secretaria.O que acham mais eficaz,uma professora passando nota ou uma bibliotecária?Penso,que deveria ser, uma assistente de biblioteca,como meu contrato reza,na biblioteca.
Onde vai parar nossa classe?O que os dirigentes políticos pensam?Que podem ir empurrando com a barriga a educação?Onde estão indo os jovens que saem das escolas?O que devemos fazer para que entendam que a nossa profissão é imprescidível na educação.
Peço ao Conselho de Biblioteconomia e a Associação de Bibliotecários do Ceará,que aproveitem o dia do Bibliotecário,para buscar algum retorno para a nossa Classe com o intuito de que a  mesma não continue invisível dentro deste Município,Estado e principalmente na Educação.
"


O que a profissional denuncia é vivenciado em quase todo o país. Por isso a importância da Campanha que o CFB vem fazendo em pró da Biblioteca Escolar. O projeto Mobilizador em prol da biblioteca escolar, começa a ir para as ruas. Aqui em BSB, o CFB realizou uma Exposição Biblioteca Escolar: tudo começa aqui. Foi montada numa área interna, em frente da Biblioteca da Câmara Federal um modelo de Biblioteca Escolar. A Biccateca, empresa de móveis de biblioteca apoiou cedendo os móveis, o Colégio Marista cedeu uma parte do seu acervo infanto-juvenil, a ABDF, CRB1 e CFB se revezaram no atendimento ao público. Durante oito dias a biblioteca ficou montada e funcionando. Funcionários, deputados, bibliotecários e público em geral eram abordados para se falar da importância da biblioteca escolar. Crianças de colégios públicos foram ouvir histórias, ler. A idéia era mostrar e sensibilizar os deputados da importância de aprovarem as leis que favorecem a obrigatoriedade de bibliotecas escolares organizadas e com atividades de incentivo a leitura. Pois, é disto que precisam as nossas crianças. É claro que a biblioteca escola oferece muito mais como extensão da sala de aula. Acho que todos os bibliotecários e principalmente nós que estamos a frente de órgãos de classe devemos estar ao lado de iniciativas como esta do CFB. Aqui em BSB não é diferente. As bibliotecas escolares, algumas com mais de 20 000 livros no acervo, estão sendo obrigadas a retirar o nome de Biblioteca, para colocar Sala de leitura. Nosso CRB1 já notificou, a ABDF já fez reunião com o Secretaria de Educação, mas nada deu resultado. Mas, não podemos desistir, é preciso que seminários, palestras, encontros e outros eventos de divulgação sejam pensados e colocados em prática. Vamos conseguir pela insistência. Concordo com ela é preciso que se aproveite o Dia do Bibliotecário para lançar na sociedade nossa indignação com a falta de respeito com as bibliotecas brasileiras e lanço aqui um desafio para nós que no próximo ano seja feita uma mobilização nacional, liderada pelas associações de bibliotecários, principalmente, e pelos demais órgãos de classe, para realizar tais eventos voltados para discutir e denunciar a situação das bibliotecas, principalamente públicas e escolares, durante as comemorações do Dia do Bibliotecário. Mas, para isto precisamos trabalhar muito, para envolver toda a sociedade e a mídia. E dar oportunidade para que os governos informem o que estão fazendo pelas bibliotecas no seus estados e munícipios. Vamos começar a pensar no assunto. E no próximo ano tudo será diferente. A além de palestras educativas e informativas para os bibliotecários e confraternizações, estraremos também identificando as mazelas da nossa área.

Iza/ABDF

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