Associação do Bibliotecários do Distrito Federal

Discurso - 25ª Feira do Livro de Brasília PDF Imprimir E-mail

    Ter sido escolhida pela Câmara do Livro do Distrito Federal como Patrona da XXV Feira do Livro de Brasília, é honra e privilégio que me enche de emoção e de alegria. Evento marcante na vida cultural da cidade, a Feira do Livro comemora este ano suas bodas de prata. É, portanto, numa data muito significativa que a Câmara do Livro, lembrando meu nome, estimula os profissionais que atuam em bibliotecas públicas e, por meu intermédio, presta reconhecimento aos dedicados servidores da Biblioteca Demonstrativa de Brasília. Além disso, é uma honra especial ser Patrona de um evento em que o grande homenageado é um dos gênios maiores da poesia brasileira, o gaúcho MÁRIO QUINTANA, um dos poetas que enfeitam e amenizam o cotidiano de todos nós com uma visão positiva e original das coisas e dos amores que nos cercam!”.

    Acredito ainda que a indicação da Câmara do Livro represente o reconhecimento a um trabalho que desenvolvemos há 23 anos frente à Biblioteca Demonstrativa, que integra a estrutura da Fundação Biblioteca Nacional do Ministério da Cultura. Durante todos esses anos, procuramos pautar nossa atuação pela busca da democratização do acesso à informação e à cultura, motivando o trabalho de uma equipe, em que procuramos incutir e desenvolver o espírito do servidor público de bibliotecas, a quem cabe a missão de organizar e tornar acessível o patrimônio público e cultural contido nas páginas dos livros e dos documentos grafados pela História. Para mim, em especial, é gratificante ver o nosso trabalho reconhecido, porque foram anos de muito esforço, trabalho e dedicação, na busca pela satisfação de nossos usuários, oferecendo a todos o saber por meio da leitura, pela pesquisa e pelo debate. Com este objetivo, acredito que a minha maior contribuição foi fazer da biblioteca pública um pólo de difusão do conhecimento e da cultura, em um ambiente agradável e convidativo, tentando colocar a Biblioteca como um agente sócio-cultural de grande presença na comunidade brasiliense.

    Foi dinamizando atividades, desenvolvendo idéias, recebendo críticas e sugestões, válidas ou não, aprimorando os trabalhos, chamando a sociedade, com ela discutindo e debatendo, que, a cada dia, com a efetiva participação de cada servidor, conseguimos realizar um trabalho que se propõe a ser fiel à verdadeira definição do que seja uma biblioteca pública.

    Ao ingressar no Curso de Biblioteconomia da Universidade de Brasília, ainda muito jovem, incentivada por minha mãe que via em mim a paixão pelos livros, não poderia imaginar que viveria um dia um momento como este. Como “rato de bibliotecas”, desde muito pequena o livro faz parte da minha vida. Hoje, a leitura está disseminada por fontes as mais variadas, graças à tecnologia que chega em todo lugar e leva a cultura universal para cada canto da Terra. Com raras exceções, não podemos mais dizer: “esse autor eu desconheço”, ou “deste livro não ouvi falar”. Basta procurar na rede mundial de computadores que lá estará, disponível, acessível, algo sobre o que ouvimos de relance ou muito daquilo que queremos aprender.

    O livro nos acompanha em nossa trajetória com seu conteúdo de sonhos, informações, imagens e momentos baseados no que vivemos ou criamos. É parte fundamental da história das nações.

    Serviu como insumo no desenvolvimento de um pequeno país como a Inglaterra, participou do radical movimento cultural e político do século 19, no Japão, quando os livros disseminaram pela população os avanços do Ocidente, tornando o país uma grande potência mundial.

    Foi principalmente pelos livros, que os franceses aprenderam a romper barreiras e a mudar o curso da história da humanidade, com sua revolução.

    No Brasil, ainda temos um longo caminho a percorrer. É duro reconhecer que temos ainda poucas livrarias, muita falta de leitura e escritores que lutam com dificuldades para publicar suas obras. Acredito que, em Brasília, podemos nos considerar privilegiados, já que é uma cidade de bons escritores e que detém o maior índice de leitura  de nosso País. Senhores escritores e leitores em geral: O que nos define não é raça, cor ou classe social. O que nos dá um rosto é a cultura que temos, o saber que compartilhamos, o sopro de vida que nos leva para frente.

    Uma feira como esta é fundamental para que haja esse encontro entre leitores, livreiros e autores, para que haja debate, identificação, para que possamos sonhar de olhos abertos e agir a partir dos planos e promessas que aqui surgirem. Como bibliotecária, não posso deixar de registrar que, em 1982, a Associação dos Bibliotecários do DF comemorava 20 anos de sua criação e era dirigida pelo nosso colega Emir Suaiden, atualmente Diretor-Presidente do IBICT -  Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. A então diretora de Divulgação, Iza Antunes, atualmente Presidente de nossa Associação, sugeriu a organização de uma Feira de Livros, sonho dos livreiros da cidade. Contou com o apoio do INL, órgão infelizmente extinto pelo Governo Collor, mas que deixou saudades. A partir desta feira os livreiros e distribuidores organizaram-se para criar sua associação. No ano seguinte, foi realizada a 2ª Feira do Livro agora com a parceria da recém-criada Associação dos Distribuidores e Livreiros de Brasília, Depois de passar pelo Centro de Convenções e do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade chegou ao Shopping Pátio Brasil, onde parece ter encontrado o lugar ideal para sua realização. Agora, completando 25 anos, a Feira a cada ano consolida-se como um dos eventos culturais e educativos mais importantes da cidade, graças ao brilhante trabalho das diversas diretorias da Câmara do Livro e, em especial, à garra, a persistência e a competência de Íris Borges, sua atual presidente e de seus colaboradores. E o movimento associativo dos bibliotecários brasilienses orgulha-se de ter iniciado esse grande acontecimento.

    Finalizando, gostaria de dividir está homenagem com os servidores que lutaram comigo por todos estes anos, com a minha família sempre presente e solidária e os amigos, escritores e artistas que sempre me apoiaram, aqui representados pelos integrantes da diretoria da Sociedade dos Amigos da BDB, instituição que representa uma parceria entre a Sociedade e o Estado, sem a qual nosso trabalho seria muito difícil de ser concretizado. Especialmente, gostaria de dedicar este momento precioso de minha vida à memória de minha irmã Linda, uma pessoa muito especial, cujo carinho e apoio incondicional fez com que eu continuasse a desenvolver o meu trabalho, mesmo nos momentos difíceis em que a incompreensão e a falta de sensibilidade interpuseram-se às minhas iniciativas. Hoje, são momentos menos significativos numa longa trajetória de trabalho, marcada pelo apoio e a amizade da comunidade cultural de Brasília. Nesta cidade tão querida e plural, temos a alegria e o privilégio de participar da luta contínua pela preservação e o desenvolvimento dos valores culturais múltiplos e diversificados advindos da riqueza intelectual e literária deste País surpreendente, capaz de forjar na Paz o rumo certo e preciso para a formação de seu futuro. Crer no País e em Brasília, acreditar na cultura e no talento nacional: seguramente, esta é a bandeira que me trouxe a este momento privilegiado. Por ela, pretendo continuar lutando, acreditando que a Cultura é uma porta que deveremos necessariamente manter aberta para a construção da felicidade plena de todo e qualquer ser humano.

    O meu mais sincero agradecimento a Deus e a todos vocês!

Muito obrigada!   

Maria da Conceição Moreira Salles
Coordenadora da Biblioteca Demonstrativa de Brasília
Em 25 de agosto de 2006